Bem, o blog tava abandonado há tempos. Resolvi reatar minha relação com ele. Sinto que isso aqui é muito mais pra mim do que pros outros, mas as opiniões, as ideias e até os xingamentos são bem vindos sempre. Poesia não resolve nada, pelo contrário me inquieta. Esse é o ponto.
domingo, 8 de agosto de 2010
O SONO
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Drummond
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?